V Workshop de Desastres Geológico-Geotécnicos cresce e aproxima academia, indústria e as novas gerações - ABMS
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V Workshop de Desastres Geológico-Geotécnicos cresce e aproxima academia, indústria e as novas gerações

São Paulo

06/10/2026

A Unesp de Rio Claro (SP) recebeu o V Workshop de Desastres Geológico-Geotécnicos – Ações e Soluções para Áreas de Risco, organizado pelo Núcleo Regional São Paulo da ABMS nos dias 24 e 25 de setembro. Para o presidente do Núcleo, Ilan Gotlieb, o workshop já se firmou no calendário. "Virou um evento anual do nosso calendário, e isso começa a repercutir e a aumentar o número de participantes interessados. Para nós é uma satisfação grande ver esse crescimento."

Ele explicou que realizar o evento em instituições de ensino é uma estratégia da diretoria. O workshop já passou pela Unisanta, em Santos, e pelo Mackenzie, em Campinas, e agora chegou à Unesp. "Buscamos trazer a academia mais perto para que os jovens estudantes que assistem às palestras se interessem pela área de geotecnia, saibam que existe a ABMS e entrem na nossa associação."

O presidente valorizou ainda a presença de construtoras e empresas de serviços geotécnicos como patrocinadoras e expositoras. "Tudo que a gente fala do ponto de vista teórico tem que ser colocado em prática, e a indústria é quem faz isso."

O vice-presidente do Núcleo, Yoshikazu Oshio, explicou que a escolha de Rio Claro foi também uma homenagem ao professor Fábio Reis, vice-diretor do Instituto GeoCiências e Ciências Exatas da Unesp, "que sempre esteve conosco desde a primeira edição". A parceria com o XX Geopolíticas, acrescentou, ajuda a levar o debate para fora da comunidade geotécnica.

Oshio ressaltou que o atendimento a emergências exige preparo para o imprevisível e apoio da multidisciplinaridade. A intenção é manter o formato itinerante. "Temos algumas proposições para o ano que vem, que inclusive surgiram durante o workshop. Vamos ter surpresas", antecipou. Ele celebrou ainda a participação de alunos da Unesp. "Mostrar que há um campo vasto para essa nova geração que está chegando é importante."

Assista às entrevistas:

Parceria com o Geopolíticas

O XX Geopolíticas é promovido pela Febrageo (Federação Brasileira de Geólogos) e pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp. Segundo o organizador, Fábio Reis, vice-diretor do IGCE, o evento reuniu temas centrais para o país: "geotecnia, desastres naturais, mudanças climáticas e o que a geotecnia e as obras têm de correlação, principalmente associada a eventos extremos".

A união ampliou o alcance da programação e atraiu público que normalmente não acompanha a ABMS, sobretudo da área de geologia. O workshop aconteceu ainda em um momento simbólico para a instituição anfitriã, que completou 50 anos em janeiro.

Assista à entrevista:

Pesquisas para entender o passado e prever o futuro

Entre os trabalhos apresentados, o do doutorando em Geociências e Meio Ambiente da Unesp Thiago Ribeiro lança mão de uma metodologia para datar depósitos e sedimentos a partir de indicadores vegetais, com foco na Serra do Mar. Segundo ele, há pesquisas consolidadas em ambientes temperados, mas poucas em áreas tropicais, o que representa uma oportunidade e um desafio.

A ideia é analisar áreas de depósito bem documentadas, medir árvores e coletar amostras de tronco para identificar sinais de impacto dos fluxos passados, cruzando os dados com modelagens estatísticas para criar um modelo de previsibilidade. "A área onde esse material foi depositado conta a história daquele ambiente, como uma arqueologia, uma paleontologia", explicou. Para ele, quem mais ganha com a integração entre pesquisa, empresas e defesa civil é a população.

Também na linha da pesquisa aplicada, Luiz Felipe Fiscina apresentou estudo do laboratório GeoInfra USP sobre o impacto da variabilidade climática na Estrada de Ferro Carajás, na Amazônia Oriental. Como a região tem poucas estações meteorológicas, o sistema usa dados de satélite, com resultados quase em tempo real. Ele analisa a estabilidade de encostas e taludes e dispara e-mails para os gestores quando ocorre um evento crítico, indicando pontos a inspecionar.

Segundo Fiscina, a tecnologia pode ser aplicada a outras infraestruturas do país, e o laboratório trabalha para transformá-la em produto, em parceria com a indústria. Estreante como palestrante depois de acompanhar quatro edições como ouvinte, ele destacou que o workshop une universidade, indústria e esfera pública. "Não basta continuar debatendo somente no meio técnico. O meio técnico já sabe as soluções. Precisamos envolver a esfera pública para que ela tenha noção do que está acontecendo."

Assista às entrevistas com Luiz Felipe e Thiago:

O olhar dos estudantes

Graduando em Engenharia Ambiental na Unesp, João Pereira Teixeira contou que o Geopolíticas foi realizado em parceria com a Semana de Estudos da Engenharia Ambiental, congresso do curso com minicursos, visitas técnicas, palestras e rodas de conversa. Os estudantes também receberam alunos da USP, para mostrar o diferencial do curso de Rio Claro, que tem forte contato com geociências, como pedologia, geologia e modelagem hidrológica.

"É uma área muito importante e relevante no contexto de emergência climática. Os problemas já aconteciam, mas agora em um ritmo mais acelerado, e a gente tem que capacitar pessoas para atuar nessas emergências", afirmou.

Assista à entrevista:

Um problema que vai além da técnica

Em sua fala, Agostinho Ogura defendeu que profissionais de geologia de engenharia e geotecnia estejam abertos a outras áreas, como a análise de riscos, forte no sistema bancário e nas indústrias química e de petróleo. Ele citou o retorno das soluções baseadas na natureza, que, na visão da engenharia, correspondem à bioengenharia de solos, e a importância do conceito de variabilidade climática natural para evitar certas armadilhas.

Assista à entrevista:

 

 

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