Maior delegação chinesa da história do LARMS abre o simpósio em Brasília com palestra sobre engenharia no Himalaia - ABMS
images

Maior delegação chinesa da história do LARMS abre o simpósio em Brasília com palestra sobre engenharia no Himalaia

27/08/2026

A abertura do X Simpósio Latino-Americano de Mecânica das Rochas (LARMS 2026), realizada em Brasília no âmbito do XXII Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (COBRAMSEG), reuniu lideranças da comunidade técnica brasileira e internacional em um momento inédito para o evento: a presença da maior delegação chinesa já registrada em um simpósio de mecânica das rochas na América Latina, formada por cerca de 40 pesquisadores, professores e profissionais da indústria.

Abertura reúne lideranças da mecânica das rochas mundial

 

A cerimônia de abertura contou com a presença de Talita Miranda, presidente do Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas (CBMR); Sergio Fontoura, presidente eleito da International Society for Rock Mechanics and Rock Engineering (ISRM); Esteban Hormazabal, vice-presidente da ISRM para a América Latina; Marcos Massao Futai, presidente do LARMS; Roberto Coutinho, presidente da ABMS; André Brasil, presidente do COBRAMSEG; e Seokwon Jeon, atual presidente da ISRM.

A reunião desses nomes no palco de abertura simboliza o peso institucional do simpósio: pela primeira vez, o evento reúne, ao mesmo tempo, a atual presidência da ISRM, sua presidência eleita e uma de suas vice-presidências regionais, ao lado da liderança nacional do CBMR e da organização conjunta com o COBRAMSEG.

Manchao He leva a Brasília a engenharia dos "cinco altos e dois ativos"

 

Na sequência da abertura, o público acompanhou a palestra do professor Manchao He (何满潮), acadêmico da Academia Chinesa de Ciências e uma das maiores autoridades mundiais em mecânica das rochas e engenharia geotécnica aplicada a obras em condições extremas. Ele dirige o laboratório-chave estatal de geomecânica e engenharia subterrânea profunda da China e preside a Sociedade Chinesa de Mecânica das Rochas e Engenharia (CSRME).

A apresentação teve como fio condutor a experiência chinesa em grandes obras de infraestrutura na região do Himalaia e do planalto tibetano, território de ferrovias como a Sichuan-Tibet e a Qinghai-Tibet, e de rodovias de alta altitude que enfrentam o que os engenheiros chineses descrevem como os "cinco altos e dois ativos": alta altitude, alta intensidade sísmica, alta tensão geostática, alta pressão hidráulica, alta temperatura geotérmica e a presença de falhas e encostas ativas.

Segundo o professor, a mecânica das rochas clássica, desenvolvida a partir de referências como o Método Austríaco de Tunelamento, concebido para as condições dos Alpes europeus, encontra limites diante da escala e da intensidade desses fenômenos no contexto chinês. Foi a partir desse diagnóstico que sua equipe desenvolveu soluções próprias, com destaque para os sistemas de ancoragem de Razão de Poisson Negativa (NPR), tecnologia capaz de absorver grandes deformações mantendo resistência constante, hoje aplicada em zonas de alta tensão, risco sísmico e deslizamentos. A trajetória do professor inclui ainda pesquisas sobre controle de grandes deformações em rochas moles, mecanismos de rockburst e previsão de deslizamentos ao longo de corredores de infraestrutura no Himalaia.

Uma presença que reflete a aproximação entre Brasil e China na mineração

 

Os cerca de 40 profissionais chineses presentes no LARMS 2026 formam a maior delegação estrangeira do evento (atrás, em número total de participantes, apenas da própria delegação brasileira) e demonstraram satisfação em participar do encontro em Brasília. A presença expressiva não é um fato isolado: acompanha um movimento mais amplo de aproximação entre os dois países no setor mineral, em que a China se consolida como o maior investidor estrangeiro na mineração brasileira, com atuação que vai da mineração subterrânea às terras raras, passando pelo fornecimento de tecnologia e equipamentos, como tuneladoras (TBMs).

Para a comunidade técnica reunida em Brasília, o encontro direto com pesquisadores como Manchao He representa a oportunidade de dialogar com um acervo tecnológico construído ao longo de décadas de exploração mineral em ambientes geologicamente complexos, um repertório que começa a se apresentar como referência também fora da China.

O LARMS 2026 segue até 28 de agosto, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, integrado à programação do COBRAMSEG 2026. Mais informações sobre a programação do congresso estão disponíveis em 2026.cobramseg.com.br.

Temas relacionados: ABMS,