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O mais jovem acadêmico a concluir doutorado no país é um geotécnico

Centro-Oeste

28/05/2021

O engenheiro brasiliense Luan Ozelim conquistou a façanha de se tornar o mais jovem acadêmico a concluir um doutorado no país. Essa conquista aconteceu em 2014, quando Luan tinha apenas 22 anos de idade. Ele é graduado em engenharia civil pela Universidade de Brasília (UnB) e concluiu o doutorado em geotecnia na mesma instituição. Hoje com 28 anos, Ozelim já possui dois pós-doutorados e atua como pesquisador colaborador na UnB. 

A novidade foi revelada pela CAPES, que realizou levantamento sobre todos os bolsistas de Doutorado inscritos nos Programas de Pós-Graduação do Brasil a partir de 2013.

Luan Ozelim conta que, ainda na escola, sempre teve interesse na área de exatas e nas ciências naturais. Desde que iniciou a vida universitária, procurou aproximar-se mais dessas ciências e sempre aproveitou todas as disciplinas do curso que fossem relacionadas a essas áreas.

Neste período, ele conheceu o professor Pushpa Rathie na disciplina de Probabilidade Estatística, alguém que se tornou uma inspiração e o inseriu mais profundamente na vida acadêmica. “O professor é referência na área de matemática aplicada e publica artigos sobre engenharia civil”, conta Ozelim. “Isso me deixou motivado; percebi que poderia alinhar o meu curso com o meu interesse por essas ciências puras”.

Já o primeiro contato com a geotecnia aconteceu por meio de sua irmã mais velha, que também se formou em engenharia civil. Por ter ingressado na faculdade antes de Luan, ela costumava apresentar a ele alguns de seus aprendizados sobre a área geotécnica e isso estimulou o interesse do rapaz.

Porém, foi ao conhecer o professor André Luís Brasil Cavalcante, professor do Programa de Pós-graduação em Geotecnia da UnB e presidente do Núcleo Centro-Oeste da ABMS, que Luan realmente procurou aprofundar-se no tema e inserir-se neste ambiente. Ele conta que, enquanto conhecia cada vez mais a geotecnia, notou o grande impacto social que a área produz. “O geotécnico acaba influenciando na vida de muitas pessoas quando projeta ou executa grandes obras, como túneis e barragens”, declara. “Sendo assim, a compreensão quanto aos impactos que a engenharia geotécnica causa na sociedade foi, para mim, um ponto essencial nesta escolha”, pontua Ozelim.

A trajetória na academia

André Brasil foi o orientador de Luan no doutorado. De acordo com Brasil, era notável o potencial de Luan como pesquisador. O professor conta que o jovem começou a destacar-se logo na graduação, quando atuou em duas iniciações científicas e em seu projeto final do curso de engenharia civil - todos orientados pelo professor. Alguns artigos escritos por Luan Ozelim foram publicados em revistas como a International Journal of Geomechanics da Associação Americana de Engenheiros Civis (ASCE).  “Foi quando a gente percebeu que ele tinha talento suficiente para ingressar direto no doutorado”, afirma Brasil. 

Assim aconteceu. O engenheiro iniciou seu doutorado logo após a concluir a graduação. Sua tese analisou a modelagem da estrutura do solo tanto computacionalmente quanto fisicamente no mundo real, por meio da impressão 3D. Ele conta que alguns dos principais desafios foram entender o funcionamento dos softwares computacionais de engenharia e extrair as informações mais importantes deles. “Do ponto de vista da impressão 3D, o grande desafio foi trazer essa tecnologia para a área de geotecnia e validar sua utilização para a criação de modelos da estrutura do solo”, conta Luan. “Isso foi confirmado na conclusão da tese”. 

Para Brasil, orientar Luan em sua trajetória acadêmica foi uma grande satisfação. “Orientar é sempre uma tarefa muito divertida e isso aconteceu de uma forma muito interessante com Luan”, diz. “Ele aceitou todos os desafios que propus ao longo do caminho e de forma brilhante respondeu a cada um deles”.

A conquista do título de doutor em geotecnia aos 22 anos não parou Luan. Ele também concluiu dois pós-doutorados com a orientação de Brasil. Atualmente com 28 anos, ele atua como pesquisador colaborador da UnB. 

“Meu conselho aos estudantes que se interessarem pela área de geotecnia é que se dediquem aos estudos e busquem professores da área para discutir antes de terminar a graduação, porque eles têm muito a compartilhar sobre a carreira como pesquisador”, declara Luan. “Pensem que essa área tem um grande impacto social e é importante para a sociedade”. 

Geotecnia no Brasil: academia e mercado

Para Ozelim, a produção científica focada em geotecnia no Brasil é forte e tem potencial para se desenvolver muito nos próximos anos. Ele destaca Victor de Mello, um dos grandes precursores da geotecnia no Brasil e no mundo, como grande referência brasileira e mundial. Como bons exemplos atuais, Ozelim destaca alguns dos fundadores do Programa de Pós-Graduação em Geotecnia da UnB e engenheiros com forte atuação na história da ABMS, Ennio Palmeira, José Camapum de Carvalho, André Assis e Márcio Muniz. O engenheiro aponta ainda que a área avançou muito nos últimos anos e que o interesse e a capacidade dos pesquisadores no Brasil são fatores que contribuem para esse desenvolvimento. 

Nesse sentido, destacam-se ainda a atuação das associações relacionadas à engenharia geotécnica. “A própria AMBS é uma grande incentivadora da pesquisa e da produção científica, seja nos congressos, nos simpósios, ou nos encontros que são realizados dentro dos grupos temáticos da ABMS”, ressalta. “Esses encontros criam um ambiente muito propício para a troca de informações e só tendem a engrandecer a área”.

Em relação ao mercado, Luan Ozelim pontua que o Brasil conta com empresas em que seus diretores e proprietários são grandes defensores das boas práticas embasadas em conhecimento científico. Entretanto, ele afirma que o fortalecimento do mercado com base nessa produção científica de qualidade depende de quem está à frente dessas companhias, quem são os engenheiros e os técnicos por trás delas. 

 

Outra tendência ressaltada por Luan são as discussões de problemas e desafios geotécnicos trazidos pelo próprio mercado profissional à academia. “Muitos profissionais estão levantando discussões interessantes em congressos e encontros técnicos de problemas enfrentados em seu próprio trabalho”, conta Ozelim. “Quando isso acontece, entra na academia e os resultados dessas pesquisas são revertidos para o mercado, o que é um processo muito benéfico para a geotecnia brasileira como um todo”.

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