Mais de 60 anos dedicados à Engenharia Geotécnica
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18/11/2014
1957, fui selecionado como bolsista do Rotary Club da Bahia para cursar mestrado na Universidade de Purdue, Indiana (Estados Unidos). O curso, ministrado em dois semestres mais um período de férias, tinha como principal área de estudo "Pavimentação", mas cursei e também fui avaliado nas disciplinas das áreas de "Materiais", "Mecânica dos Solos", "Ensaios em Solos" e "Fundações", complementadas com estágio no laboratório de solos da Universidade de Purdue. Meus grandes mestres foram o professor Eldon J. Yoder, em pavimentação, e Gerald Leonards, em mecânica dos solos e fundações. O diploma (MSCE, non thesis option) foi concedido em 1958, após haver obtido permissão especial para cursar e ser avaliado em número de disciplinas superior ao do currículo normal. Na foto, Moacyr Schwab recebendo o troféu das mãos de Francisjones Lemes, diretor-executivo da Revista Fundações & Obras Geotécnicas.
De volta ao Brasil, retomei meu trabalho no DERBA e fui contratado pela Universidade Federal da Bahia para instalar, em 1959, o curso de Mecânica dos Solos e Fundações na Escola Politécnica, graças à visão e ao empenho do professor Hernani Sobral que lutou pela criação do curso. Minha missão foi estudar e implantar a disciplina, até então inexistente no estado da Bahia: Mecânica dos Solos e Fundações (à época, denominada matéria, com duração de dois semestres). Durante quase uma década, arquei com a responsabilidade exclusiva de lecionar a mesma, passando, posteriormente, a compartilhá-la, até o ano de 1981, com outros professores.
Trabalhei ainda na Tecnosolo, de 1967 a 1968, onde convivi e aprendi muito com o professor Antônio José da Costa Nunes. Depois, de 1969 a 1975, fui para a TENPO - Técnica, Engenharia, Planejamento e Organização Ltda. Ali atuei em obras como os 200 km da BR-101 no trecho entre Rio Pardo e Itamaraju e a duplicação da BR-324-BA, entre Salvador e Feira de Santana. Em 1976, fui contratado pela Geotécnica S.A., onde permaneci até 1981 atuando em projetos e acompanhando obras geotécnicas e de pavimentação.
Foi em 1981 que decidi atuar como consultor autônomo, atividade que exerço até hoje, nas especialidades geotecnia, fundações e pavimentação, havendo participado de obras no Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e São Paulo, além de Bolívia e República Popular do Congo. Hoje, sou sócio da empresa Geotest Projetos e Consultoria S/S.
E essa é a minha experiência profissional.
ABMS
Tive a honra de colaborar com o meu professor e guia profissional, Hernani Sávio Sobral, na criação do Núcleo Regional Bahia da ABMS. E ainda de atuar como secretário, tesoureiro, vice-presidente e presidente por diversas vezes, durante mais de três décadas. Participar do NRBA da ABMS e trabalhar na organização de alguns simpósios foi a semente da minha vida profissional. E, em 2008, tive a imensa honra e prazer de receber o título de Sócio Emérito da ABMS.
Até hoje, a ABMS é o órgão mais importante profissionalmente para mim. É onde tenho a oportunidade de participar de congressos e aprender com os técnicos que mantêm meu conhecimento atualizado. Além dos livros que adquiro e que me ajudam nesta atualização. A ABMS reúne os principais profissionais e acadêmicos brasileiros na área de Geotecnia e, assim, promove a atualização de toda a comunidade geotécnica por meio dos congressos. Tenho certeza de que a entidade vai continuar crescendo e mantendo esse padrão de seriedade com que ela cuida dos interesses dos engenheiros geotécnicos.
Outra iniciativa que começou e que eu espero que continue é a certificação de empresas de sondagem e cursos para sondadores. Isto é fundamental porque a sondagem (NBR 6484:2001) é um dos ensaios de campo mais realizados no Brasil e cujo nível é baixíssimo.
Por fim, espero continuar vendo, e ver cada vez mais, a ABMS manifestando-se quando acontecem grandes acidentes. A engenharia brasileira está sendo desmoralizada por causa de uma minoria de engenheiros irresponsáveis. Isso é uma estatística fácil de constatar. Nos últimos cinco anos, por exemplo, quantas barragens romperam, quantas obras de arte estão tendo problemas? Qual é a vida média de nossas rodovias? Este é um serviço que acredito que ABMS pode e deve prestar não apenas à comunidade técnica, mas à sociedade civil como um todo. A entidade já vem fazendo isso, e espero que o faça mais e mais.
De minha parte, estou à disposição para ajudar em tudo o que estiver ao meu alcance!
Moacyr Schwab de Souza Menezes
Ex-presidente do NRBA e Sócio Emérito da ABMS
Vencedor do troféu "Homenagem Prêmio Milton Vargas 2014"
Fotos: Revista Fundações & Obras Geotécnicas Temas relacionados:


